Crítica | Rebelde - 1ª temporada


Rebelde (2002) ganhou seu primeiro respiro na produção argentina de Cris Morena, mas o sucesso mesmo foi carregado por Pedro Damián na versão mexicana (2004). Depois dessas versões, presenciamos uma brasileira (2011) exibida pela Record. E ainda que não se possa comparar o sucesso de ambas as versões, o Brasil conseguiu dar espaço relevante para a série que encerrou suas atividades depois de duas longas temporadas. 

Nesta nova versão de Rebelde, uma nova geração de alunos que chega ao colégio Elite Way, agora EWS, berço do lendário RBD. Todos eles se inscreveram na escola sonhando ingressar no renomado Programa de Excelência Musical e ganhar a Batalha das Bandas para se tornarem estrelas musicais. Entre muitas perguntas sobre o segredo do sucesso desse formato de produção, qual é o diferencial de produções que se arriscam a recriar um fenômeno pode ser uma das principais. A Netflix tentou responder essa pergunta com a série Rebelde, dessa vez com uma mistura tocante de nacionalidade dos integrantes e alguns pontos relevantes trazidos da série mexicana.

Imagem: Reprodução/Netflix

Começamos aqui com um ponto importante: não há nenhuma relação de enredo entre as versões criadas anteriormente, alguns pontos se entrelaçam, mas fazem questão de deixar claro que a versão de 2004 ficou no passado. A trama se constrói com oito episódios e tem como arco principal a tentativa desses jovens em ganhar a Batalha das Bandas da EWS. Além de novos amores e amizades, esse grupo também terá que enfrentar uma misteriosa sociedade secreta, que ameaça seu sonho de se tornar a próxima grande estrela musical.

É nesse visual atual de 2022 que começamos a ver os integrantes se juntarem de forma orgânica, após o episódio traumático da Seita - sim, a Seita está de volta. Jana (Azul Guaita), MJ (Andrea Chaparro), Estebán (Sérgio Mayer Mori), Luka (Franco Masini), Dixon (Jerónimo Cantillo) e Andi (Lizeth Selene) são nossos “RBDs” poucos convencionais e com mais brigas do que acertos durante toda a trama, outros personagens importantes para trama são Seba (Alejandro Puente) e Emilia (Giovanna Grigio). Vale ressaltar que nesse retorno temos alguns arcos importantes que fogem completamente da banda, então muitos telespectadores podem se surpreender com a chegada de problemas que o Rebelde de Pedro Damián nunca apresentou.

Imagem: Reprodução/Netflix 

É nesse cenário que presenciamos o ponto principal da série: há certo saudosismo com o Rebelde mexicano, mas não há nenhuma menção em reproduzir o que já fora criado em 2004. Esteban pode parecer com Miguel Arango (Alfonso Herrera), MJ ganha momentos que se assemelham à postura de Lupita (Maite Perroni), Jana ganha até um visual Mia Colucci (Anahí), mas perde no segundo que entra Luka, um verdadeiro Colucci. O ponto é: não há tradução simultânea com a outra versão, o que Rebelde tenta trazer é uma nova forma de contar uma história, mas infelizmente se perde na pior das possibilidades de criar um enredo satisfatório, no conto de que a Seita poderia ser a vilã dos seis mocinhos da série. 

Se havia alguma chance de reproduzir algo já feito no passado, sem sombra de dúvidas, não era a Seita que deveria ganhar esse papel. Antes de tudo é importante ressaltar que esse período na versão de 2004 ficou longe de ser aceito pelo público, e Pilar (Karla Cossío), mãe de Jana, que fazia parte desse grupo, ficou completamente descontextualizada. Se era para trazer isso, por que não abordar de forma mais completa? Talvez Celina (Estefanía Villarreal), diretora da escola e ex-aluna, pudesse ter aparecido mais e sido menos ingênua diante do caos instaurado, mas parece que sua presença no retorno foi exclusivamente para tirar a saudade que os fãs criaram do passado.

Imagem: Reprodução/Netflix

Rebelde tem potencial, isso é inegável, mas falta ligação entre os atores. O amor e amizade que víamos entre os seis integrantes da banda em todas as versões feitas foi completamente esquecido. Luka até o fim não abre mão de ser o egoísta da escola, MJ perde sua confiança com o grupo e talvez não recupere tão cedo. Ainda que a série tenha tido um desafio imenso de trazer em 8 episódios o que foi feito em mais de 200, há coisas que não se abre mão quando falamos de Rebelde. Os desafios enfrentados precisam ter a leveza e o cuidado que os seis integrantes consigam lidar juntos e unidos, da forma como o público quer ver.

Vale destacar a presença da nossa brasileira Giovanna Grigio como Emília. A representatividade é notória e a ideia foi magnífica, ainda que sua presença na próxima temporada seja incerta pela personagem ter vivido seu último ano na escola. Grigio viveu o que todo brasileiro sempre sonhou: estar diante do império mexicano de produção de novelas jovens e cantantes. Rebelde precisa de muito para ser boa nessa versão, mas com a resolução da Seita ainda nesta temporada, nos permite torcer por um enredo mais complexo e com mais possibilidades para o futuro. Fica a cargo da Netflix e sua equipe decidir se essa história merece continuar.
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